Imagine você, caro leitor, acordando em uma bela manhã de domingo. Vai até a cozinha, abre a geladeira e, em vez de ovos mexidos, pão na chapa ou aquele café forte, encontra uma tigelinha caprichada de… larvas de abelha. Sim, larvas. Não é fake news, não é pegadinha do Pegadinhas do Mallandro, é comida de verdade, nutritiva e consumida em várias partes do mundo.
A Tailândia, por exemplo, não está nem aí para o nosso preconceito ocidental e já incorporou as larvinhas como iguaria básica. Segundo especialistas, elas são ricas em aminoácidos, vitaminas do complexo B e ainda têm uma textura amanteigada, meio gordurosa. Ou seja, um mix entre manteiga Aviação e aquele torresminho do boteco da esquina. Já os aborígenes australianos preferem abelhas sem ferrão, que funcionam como docinho natural, o mel já embutido na fonte, literalmente.
E nós, aqui, ainda torcendo o nariz para uma larvinha. Ironia das ironias: o mundo inteiro discute como salvar as abelhas porque, sem elas, não há polinização, não há alimento, não há vida. Mas, ao mesmo tempo, muita gente já resolveu que salvar não basta: tem que comer.
Agora, não adianta bancar o moralista do “eca, que nojo”, porque, se pararmos para pensar, já mastigamos sem questionar camarões (os insetos do mar), lambemos moela de galinha no churrasco e até passamos requeijão em pão francês cheio de conservante sem pestanejar.
Ei, Jack, Será que o problema é realmente o que comemos ou o fato de não termos costume com o cardápio do vizinho?
Acho que as larvas de abelha vão demorar a chegar ao prato brasileiro sem cara feia, mas, se um dia vierem em formato de coxinha, empanadas e servidas com ketchup, ninguém vai reclamar. Afinal, o brasileiro não nega um petisco crocante.



