Vamos imaginar: você está em um restaurante mexicano, pedindo uma tortilha quentinha, e de repente o garçom vem com um sorriso e anuncia o ingrediente secreto: lagartas. Não, você não está sonhando. Em algumas partes da África, quase 9,5 bilhões dessas pequenas criaturas são colhidas todo ano, especialmente na estação chuvosa, para garantir proteína suficiente à população.
Na Ásia e no México, as lagartas são preparadas de formas que fariam qualquer gourmet vibrar: fritas, assadas, temperadas com molho picante ou enroladas em tortilhas. Tem até quem coloque no fundo de uma garrafa de tequila mescal, porque, aparentemente, proteína e bebida combinam mais do que imaginávamos.
A ironia está no contraste com o nosso estômago ocidental: enquanto torcemos o nariz para uma lagarta bem temperada, engolimos hambúrgueres congelados, nuggets de galinha que provavelmente conheceram mais aditivo químico que o gado inteiro, e pizzas de supermercado que mais parecem experimentos químicos. Mas uma lagarta? Essa merece suspense e careta de nojo.
Ei, Jack, “Proteína é proteína, o que muda é a embalagem.”
Se algum chef ousado abrir um restaurante chamado “Lagartas Gourmet”, vai ter fila na porta. E, curiosamente, a primeira mordida provavelmente vai provar que a gente está perdendo mais por preconceito que por gosto.



