Besouros: a proteína que você já comeu sem saber

Imagine a cena: você chega em casa, cansado, esfomeado, e alguém te oferece uma pratada de… besouros assados. Antes que você faça cara de nojo, saiba que não estamos falando de qualquer besouro de quintal, mas do H. parallela, estrela do cardápio em alguns lugares do mundo. O bichinho adulto é riquíssimo em proteínas, vitaminas e minerais. Ou seja, um suplemento natural, sem bula, sem farmácia e com crocância inclusa.

A receita é simples: basta tirar a cabeça, os bracinhos e as perninhas (sim, como se fosse frango a passarinho), e pronto — pode ser assado, seco ou incorporado em pratos sofisticados. Quem sabe um besourinho ao alho e óleo?

E, se você acha que nunca colocou um inseto na boca, talvez esteja enganado. Em 2012, a queridinha Starbucks admitiu que usava extrato de besouros da cochonilha para dar cor a sua bebida de morango. O choque foi tamanho que a empresa precisou trocar os bichinhos por tomate. Ironia fina: quando não sabiam, todo mundo bebia feliz; quando descobriram, acharam nojento. Afinal, tomate é menos exótico, mas alguém aí já experimentou uma corzinha natural de anteninha?

Enquanto a humanidade busca alternativas sustentáveis para alimentação, os insetos aparecem como solução nutritiva, barata e amiga do planeta. Mas o paladar ainda é conservador: besouro pode até salvar o futuro da alimentação, mas, no presente, ainda assusta muito mais do que um colesterol alto.

Ei, Jack, Será que o problema está no gosto do alimento ou na imagem mental que fazemos dele?

Um dia ainda vamos pagar caro em restaurante chique para comer “besouro confitado ao molho de frutas vermelhas”, e achar o máximo. Mas, se aparecer na marmita do trabalho, todo mundo vai gritar “eca!”. A hipocrisia também é um tempero universal.

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